A monitorização do Rio Pelhe pelos alunos do 5.º A que frequentam o Clube Ciência Viva na Escola não é apenas uma aula fora de portas, mas um completo exercício de cidadania científica. Ao percorrerem o rio desde a nascente, na Portela (Vila Nova de Famalicão), passando pelo pulmão verde da cidade (o Parque da Devesa), até à sua foz em Lousado, os alunos conseguem observar como a atividade humana influencia a saúde do ecossistema fluvial ao longo do seu curso.
Durante as saídas de campo, que se vão realizar durantes os meses de abril e maio, o laboratório móvel entra em ação. Os alunos avaliam a qualidade da água através da presença de macroinvertebrados, que funcionam como bioindicadores e, no local, medem alguns parâmetros físico-químicos como a temperatura, a turbidez, o pH e o oxigénio dissolvido, que oferecem um diagnóstico imediato do estado da água. No entanto, o verdadeiro desafio começa no regresso à escola. Utilizando a técnica de coloração com Vermelho do Nilo, os alunos transformam o invisível em visível. Sob a ação de luz ultravioleta, os fragmentos de plástico impercetíveis a olho nu, por terem dimensões muito pequenas (inferiores ao milímetro), brilham intensamente, o que permite a sua observação, contagem e identificação ao microscópio.
Este projeto, tem uma caraterística muito especial, pois foi pensado para promover a colaboração entre alunos de diferentes níveis de ensino. Os dados recolhidos pelo 5.º ano servem de base para o estudo dos colegas do 8.º ano, criando um ciclo de aprendizagem completo. Enquanto os mais novos tratam da recolha e identificação para quantificar os microplásticos presentes na água do rio, os mais velhos focam-se na avaliação do seu impacto biológico. Estes últimos utilizam a água contaminada por microplásticos, muitos deles resultantes da fragmentação de fibras têxteis durante o processo de lavagem de roupa, para compreender como a sua presença na água dos rios interfere no crescimento das plantas, simulando o que acontece na irrigação de campos agrícolas.
Esta abordagem permite compreender que a poluição do rio não fica “presa” na água. Ela entra na cadeia alimentar e pode afetar a agricultura e, em última análise, a nossa saúde. Ao focar-se no Rio Pelhe, o projeto ganha uma dimensão de proximidade e permite trabalhar a componente local do currículo.


